Luxo moderado?

 A crise mundial trouxe a Paris, berço do luxo, certo receio sobre a manutenção de sua identidade perante o resto do mundo, veio como um balde de água fria na percepção de seus próprios habitantes sobre os reais valores do estado e mesmo da gigante França.

Esse período turbulento gera uma lição moral que resulta numa crise de valores, valores estes que não podem ser comprados nem com milhões de Euros franceses .

Um estilista da Chanel, tradicional casa de luxo francês diz : “Toda essa crise é como uma grande limpeza de primavera na casa – tanto moral quanto física. […] Não há evolução criativa se não houver momentos dramáticos como esse. É o fim da ostentação. Tapetes vermelhos cobertos de brilhantes falsos estão fora. Eu chamo isso de ‘nova modéstia”, apesar disso a Chanel divulgou, no melhor estilo francês, que não vai cortar gastos por conta da recessão: “ Não temos orçamento, fazemos o que queremos, e jogar dinheiro pela janela faz com que o dinheiro volte pela porta da frente”…”.

Será mesmo que essa tentativa de instalação de novos princípios pode dar certo?

Gilles Lipovetsky, escritor e sociólogo francês, critica os valores atualmente cultuados pela nação: “Desde os gregos antigos, os bens de luxo sempre estiveram estampados com o selo da imoralidade. Eles representam o desperdício, o superficial, a desigualdade de riqueza. Eles não têm necessidade de existir.”

Até mesmo o presidente do país – Nicolas Sarkozy – passou a defender uma nova moralidade econômica, depois de ter participado de uma conferência no qual o intuito foi encontrar formas de dar à economia mundial uma áurea moral – ainda que nada verossímil e bastante imaginativa. 

 “A antiga ordem financeira foi pervertida por um capitalismo amoral e descontrolado” disse Sarkozy, também condenando o fato de que “os sinais de riqueza contam mais do que a própria riqueza”. O presidente declarou defender o “retorno do Estado” como controlador das superficialidades e exageros proporcionados pelo capitalismo.

Pasmem, o líder da nação mais luxuosa do planeta, defendendo uma sociedade consciente e moral.

 

E é exatamente essa imagem de “esbanjadora” que o governo francês anda querendo mudar perante as outras nações:  a palavra França já remete , quase que automaticamente, à aura do luxo e glamour. O que não deixa de ser verdade,  pois o povo realmente aprecia produtos de qualidade e, diga-se de passagem , mesmo exagerados. Acontece que, um dado interessante sobre o consumo francês é que a maioria usa mais cartão de débito do que de crédito, o que pode ser considerado um sinal de responsabilidade e controle quanto aos seus hábitos de consumo.

Então, talvez, eles aceitem com certa facilidade esse novo modelo de sentimento que está tentando adentrar os corredores da matéria ostentosa e, por que não? – encefálica – da nação européia

Published in: on maio 10, 2009 at 11:42 pm  Deixe um comentário  

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